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O que torna um lugar humano? Escala, identidade e sentidos orientam uma arquitetura feita para as pessoas

Para Priscilla Bencke, humanizar não é seguir um estilo, mas compreender quem usa o espaço e como cada decisão interfere nessa experiência

Por Inácio Rodrigues4 min de leitura

Sala da CASACOR RS 2025 em tons de laranja e cobre, com cortina metálica dourada, bancos de papelão e uma apresentadora diante da plateia.

Uma praça sem sombra ou assentos pode ser visualmente marcante, mas não convida à permanência. Um escritório perde qualidade quando o ruído impede a concentração. Em um serviço de saúde, corredores confusos ampliam a insegurança de quem chega fragilizado. A humanização não está apenas na aparência, mas na forma como o ambiente reconhece e afeta as pessoas.

Para a arquiteta Priscilla Bencke, cofundadora da NEUROARQ® Academy, especialista em neuroarquitetura e arquitetura corporativa, dizer que um projeto coloca as pessoas no centro é apenas o ponto de partida. Um briefing pode contemplar funções e estética sem alcançar a complexidade humana. Humanizar também exige considerar necessidades emocionais e reconhecer como o ambiente influencia sentimentos, ações e relações.

“Não basta saber o que a pessoa precisa fazer ou o que considera bonito. É preciso pensar em como ela viverá aquele lugar, que sentimentos poderá experimentar e como o espaço pode acolher suas necessidades emocionais. É nessa camada que a neuroarquitetura aprofunda o projeto”, afirma Priscilla.

A escala do corpo e a identidade do lugar

Dimensões, distâncias e proporções interferem na relação entre o corpo e a arquitetura. Grandes espaços podem transmitir imponência, mas, sem áreas de pausa, proteção climática ou referências compreensíveis, também produzem distanciamento. Circulação difícil e falta de privacidade comprometem a experiência.

Projetar em escala humana significa observar como as pessoas chegam, circulam, descansam e se encontram. Também requer reconhecer que o mesmo lugar pode ser vivido de formas distintas por uma criança, uma pessoa idosa ou alguém com deficiência.

“Não existe uma medida isolada capaz de tornar um ambiente humano. A escala precisa conversar com o uso, o tempo de permanência e quem estará ali. O projeto muda quando o profissional deixa de imaginar um usuário padrão”, explica.

A humanização também depende dos vínculos entre o lugar e seus usuários. Materiais, cores, referências culturais e marcas do tempo podem construir identidade e pertencimento. O objetivo não é acrescentar símbolos artificialmente, mas evitar soluções genéricas. Ouvir os usuários, portanto, faz parte do projeto.

Humanizar não é multiplicar estímulos

Iluminação, acústica, temperatura, aromas, texturas, vistas e contato com elementos naturais participam da experiência, mas precisam funcionar de maneira integrada. Um espaço humanizado não é aquele que reúne mais estímulos, e sim o que oferece equilíbrio para as atividades sem sobrecarga desnecessária.

Essa leitura revela contradições que a imagem não mostra: uma luz que valoriza materiais, mas provoca ofuscamento; uma área aberta que favorece encontros, mas elimina a confidencialidade; ou uma recepção na qual ninguém sabe para onde seguir. Cabe ao projeto articular estética, função e experiência e verificar, depois da ocupação, se suas intenções se confirmaram.

Curso terá transmissão aberta nas redes da NEUROARQ® Academy

Essas questões orientam o curso Ambientes Humanizados: projetar para as pessoas, conduzido por Priscilla Bencke em outubro. A programação discute escala, identidade, contexto e estímulos sensoriais a partir de ambientes que aproximam ou afastam seus usuários.

A primeira aula foi transmitida nesta quarta-feira, 7 de outubro e ficará disponível gratuitamente no Youtube da NEUROARQ® Academy por 7 dias e depois integrará o acervo do NEUROARQ® Membership. Também teremos mais duas aulas ao vivo, nos dias 14 e 21 deste mês.

O NEUROARQ® Membership é a plataforma de formação continuada da Academy para arquitetos e designers. Reúne trilhas, pesquisas em português, biblioteca, encontros com especialistas, gravações e comunidade profissional.

“A proposta não é oferecer uma receita, porque as pessoas e os contextos não são iguais. Queremos desenvolver no profissional a capacidade de observar, escutar e justificar suas escolhas. Humanizar é reconhecer que as pessoas levam para os espaços histórias, expectativas e necessidades emocionais. Toda decisão espacial participa da experiência de alguém”, conclui Priscilla.

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  • Ambientes humanizados

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